Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

acerca do dia da independência

Tateando, tateando, se chega a um lugar de liberdade. Eu reconheço muitos senhores subjacentes aos movimentos que faço, o que já é uma forma de driblá-los, destituí-los do lugar que ocupam. Da soberania nacional pouco sei, não sou muito de acreditar em ficções políticas. Já a ficção de ter um contorno subjetivo a que denomino “eu”, dessa ficção eu preciso até mesmo para poder escrever esta frase. 

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