Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 6 de outubro de 2012

amor suspeito

Depois da aula de pilates, entretive uma não tão breve ― e aqui já vai um sinal de enfaro ―conversa com uma das colegas, como sempre deflagrada por uma banalidade qualquer, no caso a cor dos meus olhos. Quando vi, estava recebendo uma aula de conquista amorosa, nada mais pedante e maçante. Dei graças a Deus quando minha interlocutora finalmente se despediu. Chego em casa e me lembro no átimo de que esta noite sonhei com este espaço, e também que me encontrava, no sonho, vasculhando o lixo, o da rua mesmo, e atrelado a ele encontrava um amor suspeito, estranho. Será que preciso continuar vasculhando meus recantos pouco limpos para escrever? O que esta travessia do desagradável está encenando? 

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