Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 14 de outubro de 2012

dessemelhanças

Apenas num plano abstrato somos todos iguais, e isso já seria suficiente para que a diversidade humana fosse entendida como condição de sobrevivência da espécie. A tentativa de abolir as diferenças, tornando-nos insuportavelmente semelhantes, constrói o fascismo dos valores padronizados, estereotipados. Na própria palavra “valor”, a armadilha. “Nenhuma acusação a quem não quer perder seu mundo (qualquer disputa cansa mesmo), mas simplesmente outra velocidade, outros gostos.”

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