Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

fernando pessoa, sempre

A rudeza do mundo apara as arestas, suaviza os movimentos. Fernando Pessoa me consola do que em mim é lamento. Qualquer verso desse homem parece ser maior que a sombra que faz o sofrimento:

Que dia este! Quantas coisas foram
Irregulares no acontecer!

E não são todos os dias assim?

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