Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

memória sutil das coisas esquecidas (ou a ser)

Hoje, na natação, quanta coisa pedida a uma simples porção de água! No entanto é lá que meus monstros, em silêncio, vão aos poucos se desprendendo de mim. Talvez por isso a sensação de que nada está acontecendo. Mas está: pela terceira vez consecutiva, eu esqueci lá minha roupa de natação.

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