Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

palavras, estranhas criaturas

Relevar
o que se
revela
à nossa
revelia?

2 comentários:

Helena disse...

Também comecei o dia à volta das palavras.
Bem, não me parece que seja inusual. Nem em mim, nem em si...
Abraço amigo.

Mariana disse...

Cara Helena, às vezes luto, como pensou Drummond, de maneira vã com as palavras:

"Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco."

Quem luta, sabe.

Obrigada!