Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

reflexão gratuita

A cosmologia não deixa de ser um sucedâneo do cristianismo: buscar no céu o que não é possível encontrar na terra. Talvez por isso, dentro da mesma lógica, olhemos para o céu, brilhante de fogos de artifício, na passagem de ano. O que então se vê é intensamente belo ― e efêmero. Atributos paradoxais quando se trata do sentimento simbolizado na cor branca que ritualiza a chegada do ano novo. A paz é difícil, mas despojada de artifícios. 

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