Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 21 de julho de 2013

Mário Quintana

Romance sem palavras

Há vidas, longas vidas que deixam em nossa lembrança — não uma história mas um certo ar, um clima, uma presença apenas.
Oh! aquelas velhas tias provincianas...
Vidas de uma harmonia tão sutil, tão simples e tão lenta que nem se nota.
Como uma valsinha que alguém fosse tocando ao piano espaçadamente — com um dedo só...

Mário Quintana. A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012, p.115. 

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