Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 13 de março de 2014

artigo indefinido

não acredito                                    viver
                           ser possível                          sem poesia.

6 comentários:

Jamil P. disse...

não acredito, sem arte

Mariana disse...

são modos de nomear

Jamil P. disse...

sim, eu compreendo

Mariana disse...

sei que este post está sofrível, mas eu quis dizer isso que disse, porque foi assim que senti a necessidade da poesia (ou da arte, que seja), e percebi de tal forma aguda, que acabei escrevendo o que deu para escrever.

Jamil P. disse...

acho que não há necessidade de justificativas ou explicações, a gente escreve o que sente, e isso basta; mas, de qualquer modo, agradeço as suas palavras :)

Mariana disse...

não acredito viver sem poesia ser possível
não acredito ser possível viver sem poesia possível