Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

mofo

Sonhar com mofo, o que é? Sonhos são condensações. A cômoda que veio da casa antiga ainda com cheiro de mofo, e a consequente intenção de passá-la adiante. A notícia de uma viagem em que cabem muitas. No sonho ia haver uma viagem ― portanto uma mala ― porém arrumada às pressas, de última hora, e espessa camada de mofo tomava conta da mala, de tudo ― depois não sei mais. Não sei se estou finalmente enxergando o mofo ou se, por pequenas mudanças, ele, ao se fazer visível, tornou-se passível de ser elaborado. Enxergar o mofo é admitir que alguma coisa mudou de lugar. 

P.S. Mais um elo da trama do mofo: recentemente emprestei Morangos mofados para minha analista, a propósito de ter comentado uma das histórias na sessão. O livro já voltou para mim e tal. O que conta aqui é outra coisa, posta em movimento inclusive pelo trabalho de análise, cuja expressão nunca é fácil. 

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