Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 14 de abril de 2012

naufrágio do ser

Nas lojas, o contato bruto com a mercadoria é a pior das formas de alienação. Pessoas que talvez te tratassem com até hostilidade em outro contexto ali se rasgam em afabilidades para angariar um consumidor. Mal disfarçam a animosidade quando você se despede sem nada levar. Melhor sair à francesa, já que é impossível entrar num loja sem se fazer notar ― já se sabe: como sinônimo de lucro. 

P.S. A morbidez capitalista desconhece limites. É o que mostra essa estranha movimentação em torno dos cem anos do naufrágio do Titanic.

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