Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 14 de abril de 2012

pessoas

As pessoas, entre familiares e estranhas, vão e vêm em meus sonhos. Assumem falas e posturas, criticam, revelam-me. Mas, deleite dos deuses, eu as deixo ir assim que acordo, pois sei que vieram apenas porque precisei delas para melhor descansar de mim. Fizeram-me o grande favor de, participando de minha vida noturna, ajudar a perceber que a vida diurna, a vida que se vive como real, pode tornar-se um manso exercício de convívio consigo mesmo. 

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