Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 1 de maio de 2012

sabedoria de criança

Um aluno escreve: “Acho que os traumas acontecem quando somos pequenos e indefesos, quando tudo tem uma dimensão desproporcional. E nessa idade certas coisas calam-se tão fundo  que se tornam quase irreversíveis. Estou consciente de que não há alegria que sempre dure ou mal que nunca acabe. Acredito que, após ter passado por algumas tempestades, alcancei um sossego.”

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