Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Deus lembrando-se dos brasileiros

imagem: Marcos Issa

4 comentários:

Jamil P. disse...

esse raio que o parta caiu bem no próprio dedo de deus, danificando-o inclusive, você deve ter visto; porém, não o suficiente para, digamos, torná-lo semelhante ao famigerado ex-presidente molusco, eis que arrancou só uma casquinha da ponta, graças a deus.

Mariana disse...

Puxa, você foi cruel agora com o Lula... Você conhece o conto "Famigerado", do Rosa? Uma obra-prima.

Então, fiquei sabendo que o raio danificou o dedo do Cristo-estátua, mas como é cartão-postal, eles vão correr consertar.

Na verdade, eu quis apenas ironizar aquela história de que Deus é brasileiro, e ao mesmo tempo destacar a belíssima imagem que esse fotógrafo, em momento inspirado, capturou.

Jamil P. disse...

sim, li primeiras estórias há alguns anos; a propósito, há um estudo muito bom dos contos do rosa, da lavra de heloisa vilhena de araujo, intitulado o espelho, editora mandarim; super recomendo;
gostei do link que você fez, aliás; até que nesse caso o lula serviu pra alguma coisa útil, rs
ótima ironia, como de costume, e ótima foto também! :)

Mariana disse...

Minha dissertação de mestrado foi sobre um conto do Rosa, de Sagarana. Li muita coisa na época, a chamada "fortuna crítica", inclusive alguma coisa da Heloisa Vilhena de Araujo, se não me engano.

Agora, que vivo um "pós-doutorado" em que vale o sentido do pós, as leituras acadêmicas viraram praticamente pó, ou "pós", barbarizando um pouco a coisa. Claro que não falo de cocaína, sim? Ao contrário, deixou de ser, barbarizando ainda mais.