Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

sonho metafísico (ou quem sabe pós-moderno)

Estou, no sonho, junto com o poeta, em um requintado banquete (um pouco como uma tela de Monet em que todavia só houvesse as personagens e o banquete, à moda de um piquenique, e a natureza tivesse sido furtada, ficando tudo meio lusco-fusco: não, não pode ser Monet), poeta concreto, de carne e osso, no contexto mais concretude que poesia. O banquete é coisa finíssima, mas o poeta, de mansinho, levanta-se e vai, deixando a conta do banquete por minha conta. 

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