Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 16 de março de 2011

a fulana entregue

A amiga que está gentilmente, junto à ufmg, cuidando da entrega dos exemplares da tese para mim, mais a papelada toda, e informações e detalhes que no momento são um pouco como a gota d'água, manda-me, para satisfazer uma curiosidade minha e me dar um parâmetro para os exemplares que farei aqui no Rio, manda-me fotos da minha tese. Fico emocionada. Na troca de e-mails, acabamos referindo a tese como a fulana. Pois então a fulana parece que ficou bem na foto.

4 comentários:

Matheus William disse...

Muito interessante seu modo de interagir com o blog, com se fosse um diario (oque não deixa de ser né),contando algo, as vezes, infimo da vida(oque geralmente deixamos passar despercebidos 'besteiras')e faz tudo ficar interessante , me faz lembrar um livro que gostei muito 'O diario de Nina',é um diario real que se passa em um periodo da ditadura,ela escreve como se soubesse que um dia seu diario seria publicado(oque imagino, não seria possivel, em tempos tão remotos e turbulentos,uma adolescente pensar em publicar seus pensamentos), se referindo em algumas partes no e ao diario como 'vocês'(ou seja, referindo-se indiretamente ao leitor...).
adimiro essa capacidade de transformar superfluosidades em algo interessante.

Mariana disse...

Matheus, obrigada. É um diário, mas quando eu era adolescente e as pessoas escreviam diários ("Meu querido diário..."), eu nunca me interessava, talvez porque não tivesse nada para escrever, ou então não achasse interessante escrever sem ser lida (mais provável).

Não conheço "O diário de Nina", deve ser interessante, ainda mais em se tratando dos tempos da ditadura. Em 'A descoberta do mundo', também escrito naquele contexto, a Clarice Lispector muitas vezes se comporta como se estivesse escrevendo um diário dialogado.

Pois é, essas coisinhas miúdas me agradam. Me agrada, por exemplo, nesta imagem, ver a mão da minha amiga cuidando da minha tese.

Obrigada por me apresentar a palavra "superfluosidade". Segue o link de um texto do Gabriel Perissé em que ele brinca com a palavra "coisa", e a dada altura traz uma tradução para isso que você fala, superfluosidade: "são tantas coisinhas miúdas", que aliás consta numa música conhecida.

http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=14&rv=Colunistas

Renata disse...

Hahaha, adorei o termo. E a Fulana ficou bela mesmo...

Em tempo: meu sumiço deve-se à Sicrana.

Mariana disse...

Onde andará a Beltrana? Digo, a tese da Rosane?