Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Torquato Neto: fragmentos de um discurso vertiginoso

"Será? Será verdade? Será verdade que só, só não domina a linguagem o indivíduo que enlouquece e, fica, louco? E Artaud? Quem descobre os pecados da linguagem, Gil? Talvez. Ou talvez, Mr. Tambourine Man não seja mais do que um acidente da linguagem, um malentendido, uma ligeira confusão no final do primeiro, ou terceiro, capítulo de uma novela barra-pesada que a censura (a censura, bicho) interditou, tarde demais? A censura? Será verdade que só, só agora em frente à companhia de seguros, aos vinte e cinco anos? Se a mulher chora o corpo do marido o seguro, o pecúlio trarão a certeza do dever cumprido!!!!!!!!! Certo?"

NETO, Torquato. Torquatália {do lado de dentro}. Org. Paulo Roberto Pires. Rio de Janeiro: Rocco, 2004, p.300. 


GENIAL: Quem descobre os pecados da linguagem?

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