Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 27 de março de 2011

sessão nostalgia - the sound of silence (canto gregoriano)

Canção de Simon & Garfunkel

4 comentários:

Pedro Fraga disse...

Mariana, parabéns pelo doutorado.
Quando você vai dar as caras na Tijuca?
Beijo,
Pedro Fraga (cp2)

Mariana disse...

Oi, Pedro, beleza? Ou Deleuze? Piadinha que escutei na minha defesa arrasa quarteirão, digo arrasa mariana. Mas estou aceitando de bom grado os parabéns, muito obrigada, viu?

Quando vou dar as caras na Tijuca? The answer, my friend, is blowin' in the wind. Afinal, the times they are a-changing, e a gente nunca sabe para onde o vento vai soprar.

Me pegou num momento bob dylan... qualquer hora apareço.

Outro beijo!

josépacheco disse...

mas a mariana não tem momentos não-bob dylan, certo?

Mariana disse...

rs... José Pacheco, acho que não sei responder essa pergunta, meu raso faro kantiano sentiu qualquer coisa de intransponível nela. A tentação de repetir a resposta é imensa, sucumbo: The answer, my friend, is blowin' in the wind.

Queria saber filosofia pra valer. O Pedro estuda filosofia, você idem, eu só tenho a literatura, e meu faro. Mas gosto de conversar com as pessoas, devo ter vindo ao mundo para isso, e por isso a gente abre um blog e se delicia em dar uma resposta que não é bem uma resposta, por não saber se ela existe.

O que os filósofos sabem que os demais não alcançam? Passei a pensar nisso quando descobri que não estava aqui a passeio. O Dylan é maravilhoso porque ele sacou muita coisa, esteticamente ele é interessante. Se uma canção como "All Along the Watchtower" encontra seis, sete intérpretes dispostos a enfrentá-la, depois que um deles, o Hendrix, a recria com sua guitarra genial, passando a ser um co-autor, então há uma força nisso tudo, nessa canção. E são muitas as canções do Dylan que encontraram imediatamente gente querendo cantá-las. Como disse, sua pergunta é meio difícil.

Eu confesso que algumas músicas do Dylan, muitas aliás, eu ouviria sem me cansar, e não consigo dizer isso de outros nomes que aprecio.