Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

a respiração da vida

Entre as pessoas, nos interstícios dados pelo contorno de cada criatura, pulsa em vibrações contínuas o ritmo em que se movem  a força que as mantém gravitando em torno da vida, embora seja fácil perceber como pode ser mais confortável a enganosa aparência de que gravitam umas em torno das outras ― já se acreditou que o Sol girava em torno da Terra. Assim jamais se poderá ser livre. Qualquer relação que pese mais que uma pluma já chamou a atenção para a palavra peso. Há uma força sutil que afasta e aproxima, plumagem que, parecendo adorno, é o próprio canto. 

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