Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

água batendo na proa

Meu lado que comunica ― pequena ilha ― é uma concessão à imensidão que quer silêncio, oceano que se basta em seus rumores e sons, maravilhosos sons de água batendo na proa.

2 comentários:

Helena disse...

Fantástico!
Adoto. Passa a ser uma das minhas citações.

Abraço

Mariana disse...

Prezada Helena, às vezes me transporto imaginariamente para o nascimento da linguagem, e sinto uma emoção diferente, porque o homem deve ter lutado muito contra a natureza para poder falar, articular sons, sair do grito, da onomatopeia, da interjeição. Eu me emociono, porque intuo isso, mas, como no conto do Guimarães Rosa, "não acho as palavras". O homem precisou encontrá-las, e este é um épico fascinante, para o qual apenas a ciência se voltou.

No mais, gratíssima por sua leitura e presença aqui. Em tempo: seu livro já chegou.

Abraço.