Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

antes da lua

Mas antes da lua houve a passagem pela livraria, que é outra forma de se mirar.  

2 comentários:

Luiz disse...

Também ando passando por livrarias e me (des)-encontrando. Beijos!

Mariana disse...

Oi, Luiz, boa noite. Então, a Helena vai mandar de Portugal um livro da Ana Hatherly. Pesquisando sobre a autora, encontrei uma entrevista na Revista Agulha, com esta pergunta:

AMG - «Não é no espelho que devemos observar-nos. Homens, contemplem-se no papel.» Nestas palavras de Michaux, está uma síntese daquilo que poder ser considerado a sua obra, exploradora do conceito de escrita. Concorda?

AH - A frase tem muito a ver comigo. De certa maneira, pertencemos a uma mesma família, só que Michaux integra a família surrealista e eu não. Vem do automatismo e da droga e do debruçar-se sobre si próprio com o alheamento do real. Eu não venho da droga, do alheamento do real, venho só de dentro, um outro dentro diferente do dele. O meu dentro resulta, pelo menos no trabalho, de uma meditação sobre a escrita e o acto criador. Interessa-me tentar aprofundar o que é o mistério da criatividade. O que se cria, como se cria... Isso está na base do que faço.

Fiquei pensando, neste mirar-se no papel, o quanto ele acaba nos devolvendo o espelho, o quanto há um jogo recíproco nisso. Mas sem dúvida a ideia é instigante, mirar-se no papel... Então saiu o post.

Beijos.