Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 17 de março de 2012

citação

Sou a citação mal ajambrada do que um dia imaginei ser. Não, imaginar é pouco. Eu tinha cá meus sonhos e planos. Aprendi a escrever, quero dizer, alinhar palavras e sinais em enunciados compreensíveis. Hoje isso é o respiradouro daqueles sonhos infantis. A não ser que eles, então, carecessem de melhor tradução.

Um comentário:

Menina no Sotão disse...

Essas suas linhas me lembraram um trecho do livro "Ensaio sobra a origem da imagem" de Tomás Maia -

(...)"a experiência da impossibilidade é o facto de, por instantes, tudo ser possível". (...)

bacio