Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Orides Fontela

CARTILHA

Foi de poesia
lição
primeira:

“a arara morreu
na
aroeira”.

FONTELA, Orides. Poesia reunida. São Paulo: Cosac Naify: Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006, p.279.

2 comentários:

Luiz disse...

Adoro este livro da Orides. Li na época em que a Cosac publicou. Gosto do trabalho com a forma que o próprio poema que você postou coloca em questão. Abraços saudosos. Tenho acompanhado suas publicações, ainda que não tenha comentado todas.

Mariana disse...

Oi, Luiz, bom dia.

Primeiramente eu preciso me desculpar pela ausência, lato sensu, que não tem para mim uma explicação muito evidente. Leio seus posts, e por vezes fico tentada a comentar, mas isso em si pressupõe uma renovação ainda em curso.

Assisti, por acaso, uma entrevista dessa atriz fantástica que é a Maria Luisa Mendonça, no GNT, com a Marília Gabriela. Uma mulher culta, refinada, sofisticada, sensível, delicada, forte. Mas também bem-nascida, o que é um diferencial, às vezes. Uma mulher intensa, que consegue dar vazão a seus impulsos de criação, de vida. Naturalmente, no meio em que ela vive, é a exceção à regra. Então fiquei pensando nessa coisa da intensidade de cada um, que pode ou não se concretizar em criação, arte, produção. Porque é claro que a intensidade existe, é uma demanda da vida.

No meu (modesto) caso, fico pensando na escrita, que é tão importante para mim, mas também nessa coisa do corpo, pois necessariamente vai passar por ele.

Li um texto muito bacana, que um amigo me indicou: Biopolítica, do Peter Pál Pelbart.

http://www.eca.usp.br/salapreta/PDF07/SP07_08.pdf

Espero que esteja correndo tudo bem com a tese. Abraços.