Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

cruzada (renato braz e boca livre)

Ontem tive o prazer de reencontrar esta canção, de memória antiga e adormecida. Conhecia-a na voz de Beto Guedes. Com Renato Braz e Boca Livre ficou divina. E quem inspiração foi essa, dos compositores (Tavinho Moura e Márcio Borges)? "Você parece comigo, nenhum senhor te acompanha. Você também se dá um beijo dá abrigo". Belíssimo cruzamento de referências histórico-políticas e pessoais-subjetivas. No limite, afetivas: "Não quero ter mais sangue morto nas veias".

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