Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

respirando profundamente na linguagem

A palavra que vence e atravessa a resistência da linguagem ― é o que hoje me ocorreu, por analogia ao esforço que fazia dentro da água. Incomparável o bem-estar de uma aula de natação... Ainda assim, imperando o corpo e o esforço físico, eu divagava sobre a resistência que a linguagem oferece a quem quiser dela mais que a superfície movente do pensamento. 

2 comentários:

Helena disse...

Tinha tentado colocar um comentário aqui, mas fi-lo no telemóvel e, mais uma vez, falhou.
Quando li este seu post, ele tocou-me muito, achei a analogia fantástica e quis logo dizer-lho. Eu também encontro essa resistência e parece-me estar todos os dias a "aprender a nadar".
Na linguagem e não só...

Vou deixar-lhe um tema musical de que, de repente, me lembrei. Não tem a ver (pelo menos diretamente) com a linguagem, mas com outras aprendizagens necessárias. O cd é do princípio da década de setenta...

http://www.youtube.com/watch?v=oj--AAW8Do8

Mariana disse...

Helena, bom dia. Fiquei profundamente comovida com seu comentário, feliz mesmo, porque esse meu retorno à natação foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos dias, e eu fiquei refletindo por que coisas tão simples e boas podem ficar ao largo de nossa vida: estão ali, à mão, mas o nosso movimento acaba sendo outro. Então eu senti muitas coisas (boas) ao entrar naquela água agradável, que no entanto me oferecia uma resistência firme, que era preciso vencer. Ou melhor: há que haver uma empatia forte com a água, que ela é amiga da vida. Aí veio o filme que eu tinha acabado de assistir, Gerry, dois amigos perdidos num deserto, e eu de repente vivendo o contrário daquilo, o encontro com a água. E foi nesse fluxo, ou embalo, que a questão da escrita me veio, como uma tenacidade, uma força, algo que se busca, e que ao mesmo tempo pode parecer gratuito. Um bem, uma necessidade.

Creio que me estendi, mas hoje também estou voltando da piscina.

Aprender a nadar, companheira!!! Adorei o tema musical. Muito obrigada.

Forte abraço!