Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 20 de março de 2011

o passado à espreita

Entre outras coisas, ouvi na minha defesa que, apesar de minhas posições em contrário, eu estava estudando o passado como uma benjaminiana, e confesso que, dado o avançado da hora e do cansaço, não tive munição para discutir a questão, pois afinal eu havia me desligado bastante de Benjamin, pelo menos num plano mais ou menos consciente. A defesa continua sendo uma nebulosa para mim, muita coisa ainda não processei, precisarei de tempo para ver/perceber efetivamente quais são minhas questões... Mas... ao visitar, neste final de semana, o Espírito Santo (um pouco ao contrário de Maria...), deparei-me com a escola em que iniciei meus estudos, ou melhor, com as ruínas do que um dia foi a Escola Singular de Destino, rebatizada posteriormente de Escola Unidocente de Ensino. E aí que tiramos algumas fotografias, cerca de 35 anos se passaram. Então, a imagem nova que coloquei para ilustrar o blog é justamente uma fotografia tirada em frente a esta escola: porque há um passado que continua vivendo dentro da gente, independente de ações deliberadas em negá-lo, e é muito bom quando se descobre a força que existe nele, a força que, a cada instante em que se respirava, no presente que é o tempo do viver, fazia alguma coisa meio imperceptível ser palmilhada, que a gente pode escolher chamar de destino ou de história. 

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