Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Walt Whitman

E o que é o homem afinal ? O que sou eu ? e o que é você ?
Tudo o que assinalo como meu você tem que compensar com o que é seu,
Ou estaria perdendo seu tempo me ouvindo.

Não fico choramingando pelo mundo,
Dizendo que os meses são vácuos e a terra é só lama e lixo,
Que a vida é uma fraude e um fiasco, que no fim o que fica são farrapos miséria e lágrimas.

Choradeira e submissão misturados com remédios para inválidos.... o conformismo vai até a quarta geração,
Boto o chapéu como bem entender dentro ou fora de casa.

Será que devo rezar ? Venerar e ser cheio de cerimônias ?

WHITMAN, Walt. Folhas de relva. Trad. Rodrigo Garcia Lopes. São Paulo: Iluminuras, 2008, p.69.

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