Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 5 de julho de 2011

afastando-se do discurso

"Eu estou depois das tempestades", disse Riobaldo. 

"Não estou procurando nada nos olhos de ninguém", disse Bob Dylan. 

Já eu trago a tempestade no olhar: tudo o que preciso tenho aqui, nesta escrita intempestiva, inclusive o distanciamento do discurso, do olhar do outro.

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