Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

bondade

Pensei que a bondade pudesse bastar, mas não bastou. Porque confiar é uma forma de bondade. Li hoje um trecho encantador acerca das possibilidades humanas. Seria preciso desenhar outro mundo, começar tudo de novo, para que a bondade fosse o bastante. De mais a mais, o papel de ventríloquo cansa. 

2 comentários:

Cristiano Marcell disse...

Pensemos que, quem sabe esse mundo(e por conseguinte nós, haja vista que fazemos parte dele) seja somente um rascunho.Sim, porém sem a discussão incessante e indefinida do reencarnacionismo. Talvez a forma perfeita definitiva ainda esteja por ser colocada no papel.

Muita Paz, cara amiga!!!

Mariana disse...

Obrigada, Cristiano.

Como é que eu não tinha pensado nessa ideia de rascunho? Ao contrário dos textos que a gente escreve, a vida é um constante reescrever, mas sempre um outro texto: disse, "tá dissido", conforme uma das personagens de Guimarães Rosa. Machado de Assis, mais irônico e pessimista, falou do homem como "errata pensante".

Sempre revisando o rascunho, em busca do texto, que se converte num novo rascunho,

Muita paz para você também!

Abraço.