Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 10 de dezembro de 2011

perfumaria

Precisei jogar um tomate meio estragado fora ― um filme conhecido. Mas pelo menos não me ocupo com perfumaria.

5 comentários:

Jamil P. disse...

Qual?
Sugestão: podia pegar uma foto do diretor na internet e fazê-la de alvo.

Mariana disse...

Jamil, é o Ilha das Flores, que começa falando de tomates e disseca as vísceras do capitalismo. A personagem feminina, com o dinheiro ganho com a venda de perfumes, feitos a partir de flores, compra alimentos, entre os quais tomates, sendo que os estragados vão parar na Ilha das Flores...

http://www.portacurtas.com.br/filme.asp?cod=647

A perfumaria é no sentido, menos corrente, de "coisa supérflua".

Não ando boa de pontaria :)

Jamil P. disse...

Ah... agora acho que captei vossa mensagem... Mas, pera lá, você gostou ou não? Recomenda?

Mariana disse...

Jamil, super recomendo. Para mim, o Jorge Furtado fez dois filmes que valem a pena: este curta, Ilha das Flores, que vale por um longa, e O homem que copiava, bastante original. Depois disso ele perdeu a mão.

Ilha das Flores tornou-se uma espécie de clássico dos curtas brasileiros, é citado nas aulas e tal. Quando foi que vi este filme pela primeira vez? Já não me lembro mais. É muito impactante, porque nos mostra fazendo parte de algo cuja percepção via de regra escapa. A perfumaria entra aí.

Então eu jogaria tomates no diretor por coisas como Saneamento Básico, por exemplo, um filme sem foco, sem nada.

Assista, vale a pena. Dizem que a melhor versão é a do Porta Curtas (a do youtube não tem uma imagem muito legal). Dizem também que alguma coisa foi censurada no curta na época, relativa ao polegar opositor, acho.

Desculpa se me estendi, mas é que sua pergunta me empolgou.

Abraço.

Jamil P. disse...

Beleza, vou procurar por ele!
O Homem que copiava já assisti. Gostei.