Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

China

imagens que fazem hesitar antes de comprar um produto made in china

3 comentários:

Helena disse...

Pois é, Mariana! Só que quase tudo o que compramos vem de lá, é feito lá. Chama-se a isto lei da oferta e da procura a nível global...
Eles conseguem custos de produção baixíssimos, com mão de obra quase escrava, sem qualquer tipo de regulação de trabalho. Que deveria haver, a nível internacional.

Abraço

Jamil P. disse...

Nada mais me surpreende, vindo daquele país, depois que li as duas notícias que seguem, Mariana. É o retrato da frieza e da monstruosidade.
http://revistamarieclaire.globo.com/Marieclaire/0,6993,EML382210-1740,00.html
http://www1.folha.uol.com.br/bbc/994289-morre-menina-ignorada-apos-atropelamento-na-china.shtml

Mariana disse...

Pois é, Helena, um simples pen drive, por exemplo, vem de lá... Essas imagens parecem dizer (pelo menos para mim) que a barbárie foi normalizada. Melhor: que a barbárie nunca saiu de cena na história da humanidade, apenas foi disfarçada pela maquiagem.

Jamil, obrigada pelos links. Um deles eu já conhecia, o caso da menina a que foi recusado socorro após o atropelamento.

Eu gosto muito de viver, sabe?, e não sei por que mecanismo de ingenuidade às vezes me permito imaginar que o mundo não é essa coisa irreconhecível. Então vem o susto, o espanto, porque muito frequentemente me assusto com o que ouço e leio.

Abraço.