Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

onírico

Esta noite me trouxe novas possibilidades em forma de imagens oníricas. Era sonho, mas era palpável, parecia de fato estar vivendo-as. Por que eram possibilidades? Porque não acabavam em frustração, até onde as imagens (e palavras) do sonho não escaparam para aquela região inacessível que se concretiza assim que acordamos. E então, ao pensar em escrever isso, lembrei-me de uma das histórias do livro O mistério do coelho pensante e outros contos, de Clarice Lispector, “Quase de verdade”, história latida pelo cachorro Ulisses que se passa no quintal de uma mulher chamada Oniria. 

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