Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

desmundo

Reparei com atenção na vinheta da mulata globeleza, corpo coberto apenas com maquiagem em pontos estratégicos. Uma mulher nua vestida apenas com a fantasia da maquiagem, despindo quantas outras fantasias se desejar, um nu camuflado, camuflagem às avessas, já que esta pressupõe esconder e não mostrar, uma camuflagem que esconde o que todos estão vendo, como a querer driblar a personagem infantil de conhecida história: “O rei está nu”. Enquanto assistia pensei no forte apelo sexual que certa imagem brasileira não declina de vender, a par de outros produtos, no mesmo pacote turístico. Hoje leio uma reportagem sobre o tráfico de mulheres na Europa, sendo o Brasil um dos principais fornecedores. Basta assistir Desmundo, protagonizado por Simone Spoladore e Osmar Prado e falado em português arcaico, com legendas. Para casar, a valer, os primeiros portugueses mandaram vir moças da Europa, deixadas em orfanatos e educadas para tal.

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