Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

a feminina voz do cantor

2 comentários:

Luiz disse...

Nossa, que alegria poder escutar esta música aqui. Eu fico muito arrepiado com ela. A questão feminina no homem. A voz feminina que permite ao cantor se fazer cantor. Acho isso muito bonito, sem falar na questão da memória, a força que vem daquilo que está num passado, as vozes do quintal, aquilo que foi escutado tempos atrás sobrevivendo de certa forma no presente de um canto.

Mariana disse...

... a questão feminina no homem, como um dado de criação, de beleza e de coisas que a gente intui quando está ouvindo esta belíssima composição. A delicadeza e força com que ele fala dessa mãe que ultrapassa qualquer sentido biológico para ser aquela que vai despertar, no homem, a arte, o desejo de se expressar pela música, por uma coisa que eu só posso entender como o sentido estético da vida, e que é muito bom quando se consegue alcançar.

Mãe e memória fazem parte da mesma força.