Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

em águas profundas

Estou lendo um livro ― seria melhor dizer livrinho, pela pouca extensão e pelo caráter despretensioso ― do David Lynch, Em águas profundas, sobre os benefícios da meditação transcendental. Estou lendo e por enquanto nadando, na superfície de águas tranquilas.

4 comentários:

sonia disse...

Caí no conto do vigário com essa meditação. Há um monitor aqui onde moro que me cobrou 1.000 reais há 6 anos e me enrolou com reuniões para meditação transcendental onde soube que alguns não pagaram nada para fazer parte e outros apenas 100,00 ou 200,00. Recebemos um mantra, que dizem ser só seu, só que vi num comentário de quem já fez parte da arapuca que esse mantra é meu e da torcida do corinthians... prefiro as meditações do osho!
Além de tudo isso acho o David ynchcada vez mais patético. Achava-o o máximo, antes de cair no golpe.

Mariana disse...

Sônia, eu quero essas águas, algum meio deve haver. Hoje foi um dia muito intenso: saí leve da sessão de acupuntura (procedimento que não é nada fácil para mim, porque sou muito sensível à dor, e aquelas agulhinhas são invasivas, e eu acabo sofrendo na aplicação); depois, meu dentista me disse uma coisa bem interessante, sobre o tempo (e as condições) que a gente precisa dar à nossa percepção, para que ela possa nos ajudar. A nossa percepção não é mágica, não faz mágica. Abraço.

sonia disse...

Tem razão, a experiência é unica e intransferivel, porque somos diferentes. Espero que esse mergulho traga a paz que está buscando.Abraço[].

Mariana disse...

Eu acho que a paz eu já estou vivendo, pelo menos em parte. É outra coisa: um modo de se proteger da pauleira do mundo.