Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Muddy Waters in The Last Waltz

7 comentários:

Jamil P. disse...

nossa, você é a última pessoa que eu imaginaria gostando de muddy waters...

Mariana disse...

Why?

Jamil P. disse...

sei lá, talvez porque não me parece muito a sua cara

mas, tá vendo, a gente se engana

o que mais gosta de blues?

Mariana disse...

Jamil, boa tarde. O seu comentário (os dois) é deveras espirituoso. Estava curiosa pelo porquê, haja vista que esse jogo de espelhamento é fascinante, ainda mais quando a blogosfera (internet) intensifica a aura de mistério que costuma envolver uma pessoa. Estou achando ótimo responder isso, porque é engraçado pensar que a imagem que se passa eventualmente para alguém é diferente daquela com que a gente se imagina sendo visto por esse alguém (entrevisto à distância, no caso).

Bem, especulações à parte, vamos ao blues. Gosto, mas não conheço, o que é uma pena. Você assistiu a "Coração satânico"? Muito do filme me ficou por conta da trilha sonora, que é blues. Quando a gente pensa no rock americano, é impossível não considerar o blues. Então não saberia te responder o que mais gosto de blues, mas apenas que gosto. Uma vez, num filme sobre o Jerry Lee Lewis, "A fera do rock", havia uma fala mais ou menos assim: junte uma mão negra e uma branca, e o resultado é rock'n roll.

Jamil P. disse...

acho interessante isso, você gostar de muddy waters e não conhecer quase nada de blues; já vi também quem goste de thelonius monk ou john coltrane e não conhecer quase nada de jazz; cada um desses artistas, conservando seu estilo próprio, é um ícone do gênero musical que representa; para mim seria natural que alguém que gostasse deles procurasse conhecer mais, portanto, desse ou daquele gênero musical; só pra constar, claro que minha indagação inicial não foi no sentido de testar seus conhecimentos, mas apenas dialogar sobre o assunto com a possibilidade de expandir nossos conhecimentos musicais etc;
pois é, a internet quase sempre acaba espelhando uma imagem se não distorcida apenas parcial e precária das pessoas;
coração satânico eu já assisti, a fera do rock acho que não, não lembro...

Mariana disse...

Meu ouvido identifica e aprecia o blues, eu só não conheço os nomes. Mas, por exemplo, eu já tive um CD tributo a Stevie Ray Vaughan, que foi parar em outras mãos, e tive empatia imediata por aquela música que não conhecia.

Nomes, nomes, eu sei alguma coisa do rock, que é a música que eu acabei ouvindo mais, a par da MPB. Mas acho bom também poder ouvir essas coisas amadoristicamente, e dizer de repente: Uau, que som é esse!!!, recebendo a grata surpresa de descobrir uma música, um som. Eu presto muita atenção nisso, na sonoridade da música, na riqueza melódica (até onde posso percebê-la). Então eu ouço Milton Nascimento com o mesmo prazer com que escuto um bom blues. Não todo o Milton, é óbvio, ouço o Milton dos mil tons geniais, como diz a canção.

Eu gostei muito do seu comentário, deveras espirituoso. Obrigada :)

Jamil P. disse...

acho bem legal você citar o milton, mariana, nesse contexto; ele, pelo menos pra mim, notabiliza-se por uma interpretação em geral 'dolorosa', não importa qual seja a canção, em razão inclusive do seu timbre vocal singular (que eu aprecio bastante até um certo ponto); podemos afirmar que o nosso milton é puro blues, não nas melodias ou ritmos ou até temas, mas na alma.
obrigado, é sempre um prazer conversar com você, não importa o assunto :)