Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

irritante

Irrita-me sobremaneira o costume de viver em bando. Das pessoas que assim entendem sua vida, cada vez mais, eu estabeleço uma educada distância. 

3 comentários:

sonia disse...

Idem eu aqui. Minha mãe dizia que mais que três já era turma. Não saía para canto algum em grupo. Eu puxei pelo sangue. No máximo mais uma pessoa, e olhe lá... :)

Mariana disse...

O que incomoda mesmo é o modo de funcionamento dessa subjetividade mais coletiva, que avança por vezes sem escrúpulo sobre o delicado tecido individual, equacionando "estar sozinho" com "estar desacompanhado", "sem companhia". Estar sozinho é querer, ao contrário, estar desacompanhado ou, se e quando for o caso, estar bem acompanhado. Em Raízes do Brasil, Sérgio Buarque cita Nietzsche para falar do homem cordial como aquele que tem horror de estar consigo mesmo, precisando sempre de gente ao redor dele, quanto mais melhor.

“No homem cordial a vida em sociedade é de certo modo uma libertação do verdadeiro pavor que ele sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência.”

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/leituras/raizes-que-dao-frutos

sonia disse...

Gostei de ler o texto "raizes que dão frutos" e mais uma vez confirmar minha natureza "não gregária". Detesto excursões, por exemplo. E descobri que apesar de ser uma pessoa amorosa, não o sou em grupos, nem demonstro em gestos de beijos e abraços. Sou mais para o tipo discreto, reservado. Adoro a reverência que o oriental faz inclinando a cabeça ao encontrar alguém :)