Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 10 de setembro de 2011

What are you looking for? (Philip Glass)

2 comentários:

sonia disse...

Que bonito esse video com os fios fazendo alusão à pauta musical! Sabe, Mariana, minha única grande frustração na vida é não ter me dedicado ao estudo da música. Tenho ouvido musical, aprendi sozinha a tocar violão, tiro qualquer música de ouvido (com a mão direita) mas na hora do acompanhamento eu boio...
Agora sinto que o tempo psicológico já passou, vamos ver se a vida ainda me surpreende...
beijo e bom final de domingo

Mariana disse...

Olá, Sônia, não tenho questões com não saber tocar um instrumento ou não ter estudado música, e o fato de ter dominando, razoavelmente, o "instrumento" linguagem não fez de mim poeta, por exemplo.

Minha relação com a música é outra, e por isso postei o vídeo: uma necessidade vital, como a poesia, e às vezes eu desejo uma música que atingisse o infinito de uma maneira única. O Philip Glass diz isso: uma forma de comunicar quando outras falham. Acho que foi o Nietzsche quem disse: "... e aquela música levou-me ao infinito". Se não foi ele, foi um antigo namorado, na capa de um vinil do Pink Floyd que me deu de presente e que perdi. Guardei a frase, e a sugestão. Beijo.