Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 15 de abril de 2012

Alexei Bueno: livro de haicais

Tudo a natureza,
Cruel, perdoa. Os arbustos
Crescem sobre os crimes.

BUENO, Alexei. Livro de haicais. Poesia reunida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003, p.215.

2 comentários:

Luiz disse...

muito bonito...Depois de tanto tempo voltei ao meu bolg e me perguntei se ele ainda fazia sentido para mim. Resolvi passar pelo seu, que ainda faz muito sentido pra mim. Saudades imensas de você! Beijo!

Mariana disse...

Luis, bom tê-lo de volta por aqui. Sua fala me lembra aquela do Bentinho: "... mas falto eu mesmo, e essa lacuna é tudo." Meu blog continua fazendo sentido para mim, felizmente, um sentido que só posso precisar como certa respiração que perdura.

Mas, quando comecei a escrevê-lo, eu era outra... Não se passa incólume por certas mudanças, pelo amadurecimento, pela vida enfim. Quando puder, falo mais amiúde dessas transformações, para que o fio da saudade não se perca. Outro beijo, e obrigada por encarecer o trabalho que aqui se faz.