Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 17 de abril de 2012

clarice lispector acompanhando a madrugada

RECONHECENDO O AMOR

― Este aqui, disse ela apontando para o filho menor com um sorriso de carinho, eu só tive porque descobri tarde demais e já não havia mais jeito de tirar fora.
O menino abaixou os olhos e sorriu com modéstia.

Clarice Lispector. Para não esquecer: crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p.102.

Um comentário:

Luiz disse...

Simples, complexo e bonito como quase tudo da Clarice. Beijos!