Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

nadar, do pronome nada

“Vou entrar na piscina sem nada*, só eu e minha força.”

* Este nada remete, em termos estritos, aos apetrechos que auxiliam os maus nadadores. É preciso muita coragem para fazer valer este nada para além dos apetrechos, ou seja, despojar-se, estar (saber-se) de fato sem nada. E deixar de ser, quem sabe, um mau nadador.

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