Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

política (e políticos)

No Rio, qualquer chuva mais forte deixa nas ruas um rastro de lama. Nem tudo eles conseguem esconder, e a natureza acaba por expor as vísceras do poder.

4 comentários:

Jamil P. disse...

não só; expor também a falta de educação (e inteligência) do povo, que joga lixo nas ruas, daí, quando chove, forte, principalmente, a água encontra dificuldades para ser escoada pela boca de lobo etc, causando muitos transtornos

Mariana disse...

Entendo, trata-se de um círculo vicioso (e viciado) difícil de desmontar, afinal os representantes são eleitos pelo povo, alguém os colocou na posição de poder que eles ocupam. Quantos apoiam tacitamente a corrupção por que fariam o mesmo se pudessem? Há lixo por toda a parte, inclusive na política, e as coisas acabam se espelhando reciprocamente.

Marcantonio disse...

Morei durante anos próximo a um rio, desses que acabam sendo chamados de canal. Era um vazadouro de lixo, vi até o absurdo de uma guarda-roupa jogado nele. Tudo bem, se a falta de educação é inegável, se vemos os excesso de lixo que se joga nas ruas, se isso é parte do problema, o que custa uma campanha de conscientização diante de tudo que se gasta em publicidade oportunista?

Abraço.

Mariana disse...

No fim das contas (deles), surge sempre a questão da destinação das verbas públicas. O Rio de Janeiro não sabe mais o que é o prazer de apreciar e vivenciar a experiência de uma boa chuva. Que o diga a desta noite.

Abraço.