Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 29 de janeiro de 2011

Emily Dickinson: "Paradise is of the option"


O Paraíso é uma escolha.
Os que querem terão
Lugar no Éden não obstante
O Exílio de Adão.


Paradise is of the option.
Whosoever will
Own in Eden notwithstanding
Adam and Repeal.

DICKINSON, Emily. Alguns poemas. Trad. José Lira. São Paulo: Iluminuras, 2008, p.196-197.

2 comentários:

Luiz disse...

Hoje, bem devagar, fui construindo meu paraíso, e do inferno da escrita avistei o Éden de soslaio...foi bom.

Mariana disse...

Eu, aqui, no inferno desse calor do Rio de Janeiro, encontro o paraíso ficando bem quieta, com um livro ao alcance da mão. Sair na rua é quase incorrer no risco de uma insolação...

Mas sei muito bem o que você está dizendo sobre a escrita.