Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 29 de janeiro de 2011

"ímpetos infinitos"

[uma das sequências mais bem feitas do cinema nacional  similar a um capítulo de livro publicado independente como um conto, vale como um curta]

2 comentários:

Luiz disse...

Este filme é indescritível e esta cena dá um aperto no coração...

Mariana disse...

Não sei se consigo falar desse filme. Quem é mulher se reconhece nele, creio, mas eu me vi muito nessa cena final.

O diretor foi de uma sensibilidade incomum, no sentido de colocar que até aquela mulher mais pobre/miserável tem uma subjetividade, ela não está sem opção. E a beleza da música? E aquele silêncio repentino? A moto voltando...

Essa mulher me parece representar qualquer pessoa que se ponha em questão, que não queira aceitar o que está posto sem discussão, e por isso a força da cena, o leve sorriso esboçado no rosto dela.