Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

with a little help from my friends

Ontem encontrei / almocei com / visitei dear friends. Para minha surpresa, uma hora me peguei até cantando, ao recordar uma música brega qualquer. Falou-se muito de música, de cinema sobretudo, da vida, do Rio de Janeiro e tal. E, maior surpresa: with a little help from my friends, passei um bom pedaço de tempo completamente esquecida da tese, da defesa, da ansiedade dos últimos dias. Me dei conta disso na hora de me despedir, de voltar para casa. Eu queria poder dizer que um dos pontos altos da visita foi este:


Mas lembrar de músicas bregas, a propósito do Roberto Carlos, é impagável:

6 comentários:

Luiz disse...

Sou quase um especialista em música brega, adoro todas...rs. O interessante é que a Kátia foi a primeira diva brega pela qual me apaixonei. Eu devia ter uns cinco anos e sempre que tocava essa música na rádio eu corria e colocava o ouvido na caixa de som, para me tirarem de lá só depois que a música acabasse. Ela formou meu gosto duvidoso para a música.Rolou uma saudade agora.Um abraço!

Mariana disse...

rs... nunca tive divas bregas... Rosana, Simone, Joana (esqueci alguém?) é um time que don't play anything role em meu gosto. Mas ouço, eventualmente, alguns cantores ditos bregas, como Lindomar Castilho, Wanderley Cardoso, Waldick Soriano, Antonio Marcos, Ronnie Von, Jessé, e outros esquecidos. Passei a infância escutando-os, por conta da Rádio Aparecida...

E tem um que é de fato bom, se destaca dessa turma: Jerry Adriani, andou cantando Renato Russo. Ele mesmo admitiu numa entrevista que a primeira vez que escutou o Renato Russo teve a seguinte impressão: eu gravei essa música? Pensou que era ele cantando, tal a semelhança da voz:

http://www.youtube.com/watch?v=9djLHyHuXqU

http://www.youtube.com/watch?v=ZT3cNG5z2gc

No caso dele, o bom gosto pontua.

Abraço!

Mariana disse...

P.S. E não é preconceito meu com a música dita brega, é outra coisa, uma questão de afinidade ou não. Acho que gosto musical é uma coisa muito íntima, muito própria de cada um, sem tautologia.

josépacheco disse...

eu adorava roberto carlos, sobretudo «o calhambeque, bip-bip»; e também erasmo carlos, que alguém me disse que era irmão de roberto carlos e não devia ser. porém, durante algum tempo, tivemos em moçambique (onde eu então vivia e vivi até aos dezoito anos) a visita de um sujeito de poucos centímetros, chamado nelson ned, que cantava «o quié que você vai fazeeeeer, domingo à taaaaarde»; e sentia uma tremenda nostalgia ao ouvir esta canção. a kideia de «domingo à tarde» entrava-me como uma dor pela alma adentro. conclusão: às vezes, até o que é brega permite momentos de revelação.

Mariana disse...

Sem dúvida! Você falou de domingo à tarde, que é quase um estado de espírito: se já ouvi muita gente boa dizer que não gosta do domingo, domingo à tarde então seria a quintessência do que o domingo traz desse sentimento estranho... Aos domingos eu não gosto sequer de atender o telefone.

Conheço o Nelson Ned, ele faz mais sucesso fora do Brasil que aqui, e na minha "listagem de bregas" faltam nomes respeitáveis. Já assisti programas dedicados ao gênero que mostravam fãs fervorosos.

E quanto aos momentos de revelação, bem, esta música, do Ângelo Máximo, "Domingo Feliz", me passa toda a tristeza do domingo, pois sei que a felicidade que ela promete é impossível:

http://www.youtube.com/watch?v=5tfXZbGQilA

É a última música de um filme brasileiro um pouco triste, de que fiz um post aqui:

http://thmari.blogspot.com/2010/07/domesticas-o-filme.html

Mariana disse...

Esqueci de dizer: o Roberto Carlos é meu conterrâneo.