Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Emily Dickinson

Há uma sutil agulha que costura
A Fé que se puir ―
Não se vê aparência de remendo ―
É etéreo o cerzir.

E embora sinta-se no uso diário
Que algo ali se alterou
Fica tão confortável e folgado
Como quando rasgou.


To mend each tattered Faith
There is a needle fair
Though no appearance indicate ―
‘Tis threaded in the Air ―

And though it do not wear
As if it never Tore
‘Tis very comfortable indeed
And spacious as before ― 

DICKINSON, Emily. Alguns poemas. Trad. José Lira. São Paulo: Iluminuras, 2008, p.256-257. 

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