Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 3 de maio de 2011

explicação dada sem ninguém pedir

Coloquei uma fotografia mais antiga para estampar o blog, de meados de 2007, tirada pela minha irmã na Praia do Recreio. Com uma ou outra exceção, as imagens mais recentes que coloquei de mim traíam alguma coisa de artificial (aos meus olhos). Não que fotografias não sejam artifícios. Mas é que estou num momento movediço, de intensas transformações, e isso aparece nas imagens (novamente, aos meus olhos). Apenas eu posso saber o que é possível saber de mim. Então encontrei nesta imagem mais antiga a serenidade que não estou conseguindo entrever nas imagens mais recentes. E há uma espécie de verdade nisso, para além das transformações físicas. Preciso entender o que está tumultuando minha face. 

5 comentários:

Luiz disse...

Cheguei aqui no blog agora para conferir os posts que ainda não tinha lido e a primeira coisa que me fascinou foi a nova foto. Está perfeita, ela capta bem a Mariana que eu quero sempre ver. Um abraço!

Mariana disse...

Luiz, só posso dizer obrigada. Não esperava causar tão boa impressão. Ao mesmo tempo, esta foto de repente traduziu uma Mariana que eu estou buscando, o que não deixa de me incomodar.

Então eu não tinha emprego, não tinha rumo, tinha apenas uma bolsa de doutorado e uma série de questões a resolver. Hoje, empregada, vivo na correria, na urgência, passo por situações de estresse, sinto-me quase sempre cansada, estou menos disponível afetivamente. Esse viver na urgência me incomoda, há sempre dois telefonemas a dar, provas a corrigir e/ou elaborar, aulas a planejar, como se fosse um moto contínuo. Junto com a establidade profissional veio o preço que ela cobra.

E de repente olhei essa fotografia e intui muita coisa, sobretudo pela espontaneidade com que tudo se deu. Saber disso já me dá algum percurso para reencontrar o olhar firme desta imagem.

Obrigada pelo carinho.

sonia disse...

Não tenho elementos de comparação com suas fotos porque nas outras você está sempre de óculos escuros. E como é pelos olhos que se apreende a alma, fica difícil avaliar. (Não vale como referência a foto onde só aparecem seus lindos olhos azuis).
O que posso dizer é que você está lindíssima nessa nova foto! Passa uma serenidade muito grande!
Beijo.

Luiz disse...

Mariana, queria lhe dizer que nenhum trabalho vale nossa vida. Você sabe bem disso. Não deixe de procurar o que essa foto representa. Cada dia mais, nasce uma espécie de carinho que sinto por você. Você é muito especial! Um beijo.

P.s. Hoje passando por uma livraria vi a tal biografia da Clarice numa edição de bolso e me lembrei de você. Amanhã estarei num Colóquio na UFMG falando da Clarice e certamente vou me lembrar de você.

Mariana disse...

Luiz e Sônia, profundamente enternecida. Sem palavras...

Amanhã começo a encaixotar meus pertences para ir para a casa nova.

Beijo a ambos.

http://www.youtube.com/watch?v=7Xfzv3zoEno