Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

uma canção lembrada no meio da tarde

Atravessava a ponte Rio-Niterói, sentido Rio, quase final da tarde, e o olhar se fixava, aleatoriamente, nas muitas embarcações paradas na Baía de Guanabara, aparentemente esperando vez no porto, ou outra vez qualquer. Estranho... olhar e não entender. Por que ficam ali parados? Estariam ancorados? Então comecei a divagar quais deles seriam navios e quais barcos, e daí deslizei a memória para os diferentes nomes que recebem as embarcações, essas estruturas capazes de navegar na água: navio, barco, lancha, veleiro, canoa... como aquela da terceira margem do rio, não o de janeiro. Outros rios. Foi assim que uma música muito antiga e poética veio-me à baila na memória. Trata-se de uma canção de Nelson Angelo e Fernando Brant.

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