Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Anselm Kiefer, The Book (1979-1985)


É sempre com espanto que o acaso conduz à descoberta de um artista que não se conhecia: Anselm Kiefer (aqui e aqui). Este post é apenas um registro para não perdê-lo de vista. Imagem obtida aqui.  

2 comentários:

Zé alberto disse...

lembro-me de ter visto uma pequena tela do Kiefer numa galeria aqui do Porto.
Esteve muito ligado ao inovador Joseph Beuys

http://www.ubu.com/film/beuys_filz.html

e isso nota-se desde logo pelos materiais com que ele trabalha: palha, madeira, etc.
A temática do seu trabalho tem a ver com a angústia existencial do pós-guerra.
Ao falar nisso, lembro-me da obra "devastadora", pela angústia que comporta, do escritor italiano Alberto Morávia.
Ah, ia-me esquecendo do trabalho do pintor inglês Francis Bacon,

http://www.ubu.com/film/bacon.html

tão belo quanto horrível.

abraço.

Mariana disse...

Vou precisar de um tempo para assimilar essas referências :) obrigada!

Percebi no Kiefer uma expressão artística a que não foi possível ficar indiferente.

Abraço.