Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

qual o beatle / mais bonito...

Pergunta-me uma aluna hoje, diante desta foto que ilustrava seu caderno, qual beatle eu achava mais bonito.
[imagem obtida aqui]

Respondi Ringo Star, confundindo-o com o George Harrison (e não saberia dizer o que me levou a confundi-los). Escolhi o Harrison em parte porque nesta foto ele me parece o único beatle alegre, genuinamente alegre, da banda (daí talvez a confusão, pois o Ringo Star aparece com mais frequência risonho nas fotos), e em parte porque de fato estão neste páreo da beleza apenas ele e o John Lennon. O Ringo Star nunca me pareceu bonito, e o Paul Mccartney traz até hoje a cara de menino. A aluna devolveu: por que não o Lennon?, sem eu falar nada disso. Não sei dizer por que o Lennon não seria o mais bonito: tratava-se de um homem bonito, sem dúvida, diria mesmo belo, mas o Harrison tinha os traços mais fortes, e muita coisa do Lennon foi construída pelo mito. Sem contar que isso tudo variava conforme eles, numa sintonia rara, iam mudando o corte do cabelo (aqui): os cabelos longos favoreciam o Harrison (aqui). Mas a minha confusão entre o Harrison e o Ringo Star é meio patética, soma-se a outras confusões dos últimos dias... de forma que... este post só foi mesmo escrito / para matar a saudade dos beatles... e falar de coisas mais amenas e aparentemente desimportantes: qual o beatle / mais bonito...

18 comentários:

Jamil S.P. disse...

O George é o que mais gosto e com quem mais me identifico, por ser o mais espiritual deles.

Jamil S.P. disse...

É meio infame, mas é ameno:

-Alô, George, o Ringo Starr?
-Não, Ringo foi Paul McCartney no correio.
-Para quem?
-Para John!
-John? Mas John não sabe Lennon!

:o)

Mariana disse...

Isso também é uma forma de falar da beleza dele.

Mariana disse...

Digo, a questão espiritual: é que meu comentário saiu depois do trocadilho com os nomes deles....

Mariana disse...

Olha que duo bacana:

http://www.youtube.com/watch?v=tctzUNMp5po

Jamil S.P. disse...

Excelente!
Por falar em duplas, gosto destes, fazendo um cover famoso do Dylan, você deve conhecer http://www.youtube.com/watch?v=jNM15-FMChs
Aqui poderá ouvir mais, tem coisas bem bonitas deles.
http://www.myspace.com/thefloorbirds

Mariana disse...

Não, não conhecia, fazem o estilo folk, Joan Baez. Obrigada.

Neste outro vídeo o Harrison aparece junto com o Dylan também, performance bonita:

http://www.youtube.com/watch?v=U7j5CJSabaA

Jamil S.P. disse...

Ah, me referia à canção... Sério que não a conhece?
A letra talvez seja meio autobiográfica (será? sei muito pouco da vida dele):

I've been a moonshiner,
For seventeen long years,
I've spent all my money,
On whiskey and beer,
I go to some hollow,
And sit at my still
And if whiskey dont kill me,
Then I dont know what will,

I go to some bar room,
And drink with my friends,
Where the women cant follow,
And see what I spend,
God bless them pretty women,
I wish they was mine,
Their breath is as sweet as,
The dew on the vine,

Let me eat when I am hungry,
Let me drink when I am dry,
A dollar when I am hard up,
Religion when I die,
The whole world's a bottle,
And life's but a dram,
When the bottle gets empty,
It sure aint worth a damn.

Gosto da Joan também, ela é mais famosa e tal. Há, nesse estilo, centenas de músicos muito bons nos EUA. É mais ou menos como a música caipira aqui. Só que lá eles são mais tradicionais, digamos.

Obrigado pelos vídeos, adorei!

Mariana disse...

Ela está no CD I'm Not There (e no filme, talvez), mas não havia notado:

http://www.youtube.com/watch?v=4S-7lPvoTv4

Parece aquela coisa meio mística do Dylan.

Quanto ao country/folk deles, com certeza tem muito mais força que a nossa música caipira, pois acho que é uma coisa de resistência: aqui no Brasil isso soa como piada.

josépacheco disse...

também voto no harrisson. absolutamente. aliás, o mais discreto, talvez o mais despercebido, o que ficava quietinho a um canto dedilhando - mas, nas poucas músicas compostas por ele, de que nunca se falou tanto como das de lennon/mccartney, que originalidade, que spiritualidade (é verdade!), que talento.

Mariana disse...

bem lembrado e anotado!

Tinzia Menezes disse...

Adoro coisas desimportantes!

E prefiro o Lennon(quanta originalidade). Ele morreu jovem, de forma trágica e antes do meu nascimento. Então virou aquele mito que, desde a infância, aprendi a admirar e achar bonito (também rimei...rs).

É como a Monalisa: uma mulher bem esquisitinha, mas quem se importa? É uma parte do que nos constitui culturalmente; uma face que aprendemos a amar.
Por todas as emoções que o J.L. e a Mona provocam, eu diria que mesmo é que eles são lindos.

É, não sei mesmo separar as coisas. Talvez alguém saiba.

Mariana disse...

Coisas desimportantes estão ultimamente entre as minhas preferidas...

Fernando Pessoa, citado de memória, na verdade o Alberto Caeiro: beleza é o nome que dou às coisas em troca do agrado que me dão... Teria que ver se o Kant achou jeito de separar (rs).

Jamil S.P. disse...

Sobre a Mona Lisa, seu modelo pode ter sido um homem http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/modelo-da-mona-lisa-era-homem-dizem-pesquisadores

Mariana disse...

Li isso em algum lugar, na própria internet.

O fato é que alguém arrumou um jeito de aproximar os traços do Lennon dos da Monalisa:

http://www.flickr.com/photos/tompatto/1424098541/

Mariana disse...

P.S. Essa música, tão despretensiosa, é das que mais aprecio deles, creio sobretudo pela performance: eles entenderam bem aí uma coisa fundamental do universo pop: o aspecto de encenação. Eles brincam com o que estão cantando.

Mas é claro que, abstraindo o vídeo, me vêm Helter Skelter, Rocky Raccoon, With A Little Help From My Friends, Let It Be, Lucy In The Sky With Diamonds, Across the Universe... Exceto Let It Be e Hello, Goodbye, não consigo me sintonizar com as mais tocadas.

Zé alberto disse...

Enquanto preparo o almoço - que tem muito que se lhe diga :) - me recordo que sobre Monalisa achei isto , um destes dias, na pagina de Facebook de uma senhora italiana, a respeito de um livro "Um mistério chamado Gioconda" publicado em Italia: «La Gioconda è in realta SANTA ELISABETTA DEL PORTOGALLO, molte sono le prove, dall'accumulo di grasso, al suo simbolo riportato sull'abito di Monna Lisa, al ponte a schiena d'asino che si trova a Coimbra, al velo e molto altro, questa solo un' anticipazione. La donna più conosciuta al mondo è una Santa, è Santa Elisabetta del Portogal...»

abraço!

Mariana disse...

Zé Alberto, obrigada pelo texto e por trazer mais hipóteses ao enigma que ronda esta tela tão famosa, talvez famosa por isso.

Não me parece improvável que o modelo que serviu ao traçado da Mona Lisa tenha sido masculino: primeiro porque os seus traços são ambíguos, ambiguidade que se esboça já a partir do sorriso, como se fosse um rosto andrógino; segundo porque era comum que homens assumissem papeis reservados às mulheres, como por exemplo no teatro. Este é o tema de um filme muito bonito, "A bela do palco":

http://www.adorocinema.com/filmes/bela-do-palco/

http://www.youtube.com/watch?v=er1kv5VXrak

Mas eu nada sei sobre isso, e o quadro é bastante enigmático. A única coisa é que ela, a Mona Lisa, me parece feia, ou, como disse a Tínza, uma mulher meio esquisitinha.

Abraço.